Blogagem coletiva: é um caso para se pensar…

A princípio, parece que ninguém duvida de que blogar em conjunto é bem melhor do que blogar sozinho. Tudo converge para uma resposta fácil, que afirma que “blogue” é diálogo, interação, troca rápida de informações, parcerias, etc. Tudo bem, isso é verdadeiro: é uma faceta possível, talvez uma das principais facetas, mas não a única, diga-se de passagem.

Depois de um tempinho considerável nessa “blogosfera de meu deus” (ow palavrinha safada essa, “blogosfera”), para dizer a verdade, acho que a blogagem coletiva (em muitos casos, não digo que todos, entendam) virou algo meio estranho; algo que perdeu o seu sentido primordial.

Partindo para uma livre interpretação, acredito que alguma explicação deve residir na necessidade imperiosa do ser humano de se sentir integrado, reconhecido, seu instinto de evitar a solidão, o medo de ficar sozinho.

Por conta disto, há uma tendência muito forte em nós de buscar um coletivo, de se inserir, se integrar o mais rápido possível, de obter feedbacks em maior quantidade. Isso é uma coisa boa, sem dúvida, e fundamental para nos sentirmos vivos. Não há o que questionar.

Essas observações, por sua vez, transpostas ao universo dos blogs, geram efeitos no mínimo curiosos. Acho que o efeito principal é o fato de que as pessoas abrem mão de forma muito fácil de suas individualidades e se deixam influenciar pelas pautas e pelos assuntos de maior destaque em troca de um reconhecimento mais fácil.

Isso é bom, claro. Mas vejam, quando todos aderem a essa tendência, o que acontece? Ocorre que você passa a ter uma espécie de pauta única (puxada por alguns alguns meios de comunicação hegemônicos) e consequentemente passa a ter menos diversidade, menos debate, menos originalidade.

Tem também a questão que o coletivo passa a influenciar as individualidades, passa muitas vezes a padronizar comportamentos e estilos e, desta maneira, a assimilar as individualidades.

Para o indivíduo, é uma situação difícil de ser percebida. Em regra a sensação é a de acolhimento, de participação e de integração, o que o faz se sentir aliviado e seguro de suas referências, reconhecido em sua posição.

Há momentos que a internet parece com isso: um imenso espaço de ilhas auto-referenciadas. Em alguma medida elas se influenciam e se contaminam reciprocamente, mas não propriamente por formas de diálogos.

Finalizando, na blogagem coletiva você irá se sentir integrado, vai ter mais feedbacks e mais rápidos. Vai encontrar pessoas que irão entender a sua língua, que discutirão as suas idéias, entenderão as suas questões e ansiedades.

Porém, acolhido no grupo, dificilmente você terá uma visão de fora, exterior, um estranhamento. Uma visão de dúvida e desencaixe, de desconfiança sobre tudo o que está acontecendo. Você terá menos “riscos” de ter um pensamento excêntrico. Você terá (infelizmente, creio que sim) menos chances de criar um caminho só seu, um estilo especialmente seu, um trabalho dignamente ancorado na sua trajetória, num caminho que você criou (na sua loucura, sim) mas absolutamente seu. Na comunidade você estará “protegido” contra o mundo exterior e todos os perigos e medos que ele envolve. Por mais que você acredite em sua originalidade, você estará sempre mais suscetível à influência do grupo, pois a sua identidade foi criada em conjunto e por isso, depende do conjunto.

Os coletivos tecno-informáticos irão crescer, disso não há dúvidas. Mas quando tudo estiver organizado em muitas tribos, de infinitos matizes, talvez aqueles pontos isolados passem a ter um brilho diferente. Talvez passem a ter outro valor e outra interpretação diante dos coletivos que se proliferam.

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