A internet é um espaço que tem canalizado muitas expectativas e gestado muitos sonhos. Em geral, os usuários do ciberespaço estão ávidos e encantados pela possibilidade de que a nova rede mundial de pessoas, informações e conhecimento, possibilite a construção de novos espaços de sociabilidade, de trabalho, de participação, de reconhecimento e inclusão social-cultural. Aparte o sonho e a potencialidade em aberto que a tecnologia e o devir histórico nos permitem, se tomarmos as interpretações e os diagnósticos de um dos maiores sociólogos contemporâneos, Zygmunt Bauman, o balanço de suas análises nos indicam um olhar cético perante a internet.Trabalhar na rede, conhecer pessoas, estabelecer relacionamentos virtuais, produzir, consumir produtos e informações em proporções nunca imaginadas. Quem aqui nunca se encantou e viveu o sonho, ainda que por curtas divagações, oferecido pela internet? Mais importante ainda, quais seriam os elementos que poderiam nos sinalizar se estamos mesmo diante de uma transformação positiva de nossos contextos, numa escala mundial, ou, ao contrário, tudo não passa de um mito contemporâneo, um mero golpe de vista histórico-ideológico? Ao que parece, poucos se arriscam neste terreno movediço.

*nota importante: este texto é o esboço do artigo do Pack Teórico III. Muitas idéias precisam de maior desenvolvimento, mas como ando sem tempo para isso, disponibilizo na rede o texto com todas as suas dificuldades contando mesmo até com a participação e dicas dos eventuais leitores e críticos. Os outro Packs (I e II) podem ser lidos no NossaVia:
Como Bauman não aborda diretamente a internet como um problema em suas obras, o objetivo deste post é justamente ensaiar quais seriam as possíveis aplicações de seus conceitos no âmbito da internet e qual seria a sua posição perante este debate do futuro da rede.
Introdução – o autor e seus temas
Zygmunt Bauman, sociólogo polonês de origem judaica que nasceu em 1925. Foi professor de filosofia e sociologia na universidade de Varsóvia e atualmente leciona sociologia numa universidade inglesa, em Leeds. Como muitos pensadores do leste europeu, foi um estudioso do pensamento marxista e participou do partido comunista polonês. Porém, já no ano de 1968, por conta de uma perseguição anti-semita do governo comunista na Polônia, após passar por algumas cidades, Bauman se muda para a Inglaterra, país no qual se torna professor e reconhecido intelectual. Depois de seu início de carreira como pensador de inspiração marxista, Bauman passa a se destacar como um pensador rico em insights sobre as contradições da sociedade contemporânea, sobretudo a respeito das questões postuladas pelo debate da pós-modernidade.
Como já fora apontado no início deste texto, Bauman não é um autor que aborda especificamente questões da internet. Seu pensamento se ocupa de articular questões que envolvem os problemas sociais que estão tomando corpo no mundo contemporâneo. Boa parte de seu diálogo se dá com os sociólogos britânicos da Teoria Social (Social Theory – Anthony Giddens, Ulrich Beck, Richard Sennett, entre outros) e envolvem debates sobre como esse nosso mundo contemporâneo, por sua complexidade, estaria exigindo novas categorias de pensamento, sobretudo, novos constructos teóricos para além daqueles que o pensamento sociológico clássico nos legou. Para se ter uma idéia do que isso significa, podemos pensar, apenas para dar uma noção do que seria essa busca de novas categorias, em exemplos como:
É possível utilizar conceitos como classe social, modos de produção, capitalismo, Estado-nação, sociedade, anomia, cultura, identidade, etc. para pensarmos os problemas atuais?
Ao que tudo indica, a complexidade e a velocidade na qual as coisas acontecem em nosso presente faz com que tudo seja construído e destruído com uma rapidez nunca imaginada. Modelos de vida, valores morais, saberes, carros, equipamentos eletrônicos, comportamentos, programas de televisão, tendências culturais, tudo é produzido e descartado numa velocidade incrível. Inclusive teorias e modos de compreensão do mundo: estes parecem não dar conta de explicar muita coisa sobre nossos problemas concretos, nem oferecer nada além do que meras narrativas saudosistas a respeito de mundo que gostaríamos de ter. Não acreditamos mais que um sistema de pensamento possa oferecer alguma resposta, solução ou alternativa aos problemas que vivenciamos cotidianamente: não temos mais ideologias nem utopias, somos “realistas” e nos chocamos cada vez menos diante das mazelas humanas e dos idealismos que pregam as suas transformações. O resultado é uma espécie de “conformismo pseudo-realista” na qual a única alternativa é uma salvação individual, uma questão de desafio pessoal na qual o indivíduo se vê como o único responsável pelo seu sucesso profissional-financeiro, em que pese as condicionantes histórico-sociais.
Uma das teses de maior importância para a trajetória de seu pensamento foi apresentada em um de seus maiores livros, Modernidade e Holocausto. Nele se encontra uma interpretação que inverte o modelo convencional no qual as sociedades ocidentais, sobretudo, aquelas culturamente influenciadas pelos países aliados, de que o Holocausto foi um momento de irracionalidade e barbárie do mundo europeu.
Bauman irá defender uma tese contundente de que não se tratou de um acidente histórico, ou de um caso específico de crueldade na história. O Holocausto deve ser inscrito no processo que caracterizou toda a modernidade, toda a cultura dos países ocidentais, ele foi um acontecimento inscrito na lógica da modernidade, uma espécie de culminância exacerbada do projeto civilizatório, como uma contradição latente.
Questões que podem amarrar Bauman a internet
Que tipo de contribuição poderíamos extrair do pensamento de Bauman para as questões que a internet nos tem colocado?
Iniciemos a reflexão por alguns pontos oferecidos pela internet, ou mais especificamente, pelos propagadores e otimistas da rede.
A rede como um espaço novo de sociabilidade – democratização da informação – expansão dos canais de conhecimento – integração de culturas e manifestações artísticas – surgimento de novos produtores de informação ( pessoas comuns ) e liberdade de expressão.
A estas expectativas gestadas pela internet, talvez o pensamento de Bauman possa oferecer alguns insights interessantes, algumas idéias críticas para se pensar essas promessas com radicalidade e, por que não, com uma certa dose de ceticismo. Uma vez que o pensamento de Bauman não aborda diretamente os temas específicos da internet, a aproximação de suas reflexões com as promessas da net irão se realizar aqui de modo ensaístico, como improviso reflexivo.
Um dos pilares da construção da modernidade foi a defesa incondicional a respeito da dignidade humana. Mesmo diante de uma variedade de interpretações acerca do que ela deva significar, em qualquer uma de suas variações é possível encontrar de forma fácil a defesa do valor à vida e o elogio da subjetividade e individualidade de todo e qualquer ser humano. Todos nós, em qualquer parte do mundo somos únicos, originais e especiais, por conta de nossa humanidade.
Isto nos indicava que a subjetividade era o campo privilegiado do desenvolvimento humano, espaço que deveríamos investir todas as nossas energias. Inclui-se nisto, as atividades de refinamento do espírito, a aquisição de cultura, e esclarecimento.
Mas ao que tudo indica, esse projeto foi sendo trincado em suas muitas fissuras, na multiplicação de suas contradições, que por fim levaram ao desmoronamento deste edifício utópico no início da época pós-moderna. O que se revelou como o funcionamento atual é o fato de que algumas vidas (ou modelos de vida), e somente alguns, são investidos e possuem status de “vida digna”. Uma massa incrível de vidas, de culturas, e ordens sociais, históricas e temporais são vistas hoje como velharias históricas que não encontram, nem encontrarão encaixe no mundo contemporâneo. É o caso dos refugiados, novos imigrantes, culturas atrasas, modelos de vida ultrapassados. Referências que se transformam em excentricidades e enlatados humorísticos no youtube?
Existe uma sensação comum na escrita dos blogs, que indica um estado de irrelevância para o que vai escrito em cada post. É como se fosse um sentimento de impotência sobre a capacidade de dizer algo relevante, uma percepção de que qualquer que seja o esforço, os textos não têm poder nenhum, não causam impacto em nada, são, portanto, irrelevantes.
É óbvio que muitos vão argumentar que tal idéia pode ser rebatida pelo poder crescente que a opinião dos consumidores expressas em seus blogs e sites têm influenciado o mercado de tecnologia, a questão da publicidade e das marcas. Mas o problema que faz este exemplo perder sua força é justamente o fato de que ele se situa dentro do próprio modelo de consumo no qual as relações sociais, em seus aspectos mais problemáticos não aparecem. Ou mais especificamente, é muito fácil atribuir um poder maravilhoso de sociabilidade a internet enquanto ela canaliza grandes comunidades em torno de debates que reforçam a produção tecnológica e os padrões de consumo, deixando em silêncio questões políticas e sociais.
Simplificando de forma quase caricatural o pensamento de Bauman, a “culpa” não seria propriamente da internet. A questão é que a internet surge no contexto no qual a política, em seu sentido tradicional, já foi eliminada da esfera pública das sociedades ocidentais. Todo aquele mundo de representações que polarizava esquerda e direita, movimentos sociais, engajamento, conscientização e busca de transformação social foi dissolvido junto com a desintegração dos Estados-nação, com o fim das utopias sociais, a flexibilização das fronteiras e legislações trabalhistas.
A tendência totalitária visa à total aniquilação da esfera privada, do reino da autoconstituição e autodeterminação individuais – em suma, à irreversível dissolução do privado no público. O objetivo não é tanto impedir os indivíduos de pensar – uma vez que isso seria impossível mesmo diante do mais fanático dos padrões – mas tornar o seu pensamento impotente, irrelevante e sem influência para o sucesso e fracasso do poder. No extremo da tendência totalitária, são bloqueados os canais de comunicação entre poder público e o que quer que tenha restado dos indivíduos privados. Não há necessidade de diálogo, uma vez que não há nada a dizer: os súditos nada têm a dizer que possa ser de valor para os interesses do poder e os poderes instituídos não têm mais necessidade de convencer, converter, ou doutrinar os súditos.
Arendt
Minha percepção a partir das considerações de Bauman indica que o grande limitador das iniciativas na internet como canais efetivamente novos nos meios de comunicação tradicionais está justamente nesta promessa não realizada de “novo” Espaço Público Virtual. Neste caso, é importante considerar que antes do advento da internet o Espaço Público e a ação política já se encontravam em crise, fato que dificulta a constituição de atores sociais e de padrões de sociabilidade em sintonia com essas expectativas.
Ao contrário de tomar a ruptura técnica que a web representa, torna-se mais interessante inscrevê-la no próprio processo de continuidade dos novos arranjos de sociabilidade precária nos quais os indivíduos não possuem um preparo para a ação: são livres para falar o que quiserem, mas suas falas se dissolvem facilmente no turbilhão incessante da informação virtual.
O enigma do Espaço Público
- O surgimento das Comunidades Virtuais
Na ausência de uma política de sentido tradicional, passam a brotar, quase que naturalmente, formas de associação mais elementares, de acordo com Bauman, formas que reavivam modelos de vida um tanto quanto idealistas, que buscam uma imagem de homem pré-social reintegrado à natureza e associado de modo comunitário em locais onde florescem o acolhimento, a paz e o sentimento de identificação entre todos os membros. São espécies de comunidades baseadas em ideais saudosistas que não possuem chances de se realizar mais em nosso presente. O mais curioso das novas comunidades é o fato de que elas funcionam a partir de uma contradição um tanto quanto curiosa. Bauman aponta que a comunidade recepciona e agrega todos os seu membros e estimula uma situação de “isolamento comunitário” na qual os membros reforçam suas próprias referências, com a falsa sensação de liberdade de escolha da cultura-referência correta, mas que se revela como um modo de controle interpessoal muito efetivo e rígido do controle das consciências.
- O significado das novas relações on-line.
Há diversas armadilhas para os corajosos pesquisadores que se lançam a tentar compreender o que acontece em termos sociais (off-line)
Cooperação virtual: uma nova modalidade de sociabilidade?
Uma das perguntas interessantes que o pensamento de Bauman pode nos oferecer quando confrontado com as novidades oferecidas pela web é justamente perguntar em que medida a cooperação virtual oferece um padrão realmente transformador de sociabilidade, na medida em que ele seria capaz de operar realizações nas vidas daqueles que foram excluídos dos padrões de consumo e produção atuais.
Vida Líquida
Diferentemente da sociedade moderna anterior, que chamo de “modernidade sólida”, que também tratava sempre de desmontar a realidade herdada, a de agora não o faz com uma perspectiva de longa duração, com a intenção de torná-la melhor e novamente sólida. Tudo está agora sendo permanentemente desmontado mas sem perspectiva de alguma permanência. Tudo é temporário. É por isso que sugeri a metáfora da “liquidez” para caracterizar o estado da sociedade moderna: como os líquidos, ela caracteriza-se pela incapacidade de manter a forma. Nossas instituições, quadros de referência, estilos de vida, crenças e convicções mudam antes que tenham tempo de se solidificar em costumes, hábitos e verdades “auto-evidentes”. Sem dúvida a vida moderna foi desde o início “desenraizadora”, “derretia os sólidos e profanava os sagrados”, como os jovens Marx e Engels notaram. Mas enquanto no passado isso era feito para ser novamente “re-enraizado”, agora todas as coisas — empregos, relacionamentos, know-hows etc. — tendem a permanecer em fluxo, voláteis, desreguladas, flexíveis. A nossa é uma era, portanto, que se caracteriza não tanto por quebrar as rotinas e subverter as tradições, mas por evitar que padrões de conduta se congelem em rotinas e tradições. (Zygmunt Bauman)
As doçuras e agruras da vida líquida – os novos laços sociais – o amor líquido
Para compor o quadro de nossa contemporaneidade, Bauman investiga um campo pouco explorado pela sociologia, que é o da afetividade e dos relacionamentos amorosos. Em conformidade com o contexto da vida líquida, na qual ninguém mais pode ser ingênuo a ponto de pensar num único projeto ou modelo de vida completo, no campo afetivo também estamos submetidos a uma incerteza e precariedade constantes. Hoje chega a causar repulsa a idéia de um relacionamento que dure para sempre, mas ao mesmo tempo o que mais se procura e se prioriza nos relacionamentos é a busca por segurança e estabilidade. Bauman pondera que é perfeitamente compreensível que num mundo cada vez mais incerto os indivíduos busquem companheiros fixos e estáveis que possam contribuir com um entendimento e acolhimento, mas ninguém acredita que uma pessoa deva abrir mão de suas perspectivas e planos para viver em função de outra. O que marca hoje as relações amorosas é que os relacionamentos são sentidos e pensados em termos de investimentos e cálculos emotivos-econômicos, nos quais as pessoas esperam investir energias e receber em troca vantagens emocionais, segurança e felicidade. Ao contrário de se estabelecer como uma relação na qual os parceiros reconhecem o valor do relacionamento e a importância das concessões mútuas, temos hoje grande número de situações em que os indivíduos possuem um relacionamento provisório e a atenção voltada para o mercado aberto de futuros parceiros: uma espécie de mercado no qual os parceiros afetivos são descartáveis, vale o que oferecer mais vantagens.
A sociedade fragmentada que o senhor apresenta em ‘Vidas desperdiçadas’ não estimula a individualização e o sentimento de medo ao estranho que foram apresentados em ‘Amor líquido’?
Bauman – Claro. Nos comportamos exatamente como o tipo de sociedade apresentada nos ‘reality shows’, como por exemplo, o ‘Big Brother’. A questão da ‘realidade’, como insinuam os programas desse tipo, é que não é preciso fazer algo para ‘merecer’ a exclusão. O que o ‘reality show’ apresenta é o destino e a exclusão é o destino inevitável. A questão não é ’se’, mas ‘quem’ e ‘quando’. As pessoas não são excluídas porque são más, mas porque outros demonstram ser mais espertos na arte de passar por cima dos outros. Todos são avisados de que não têm capacidade de permanecer porque existe uma cota de exclusão que precisa ser preenchida. É exatamente essa familiaridade que desperta o interesse em massa por esse tipo de programa. Muitos de nós adotamos e tentamos seguir a mensagem contida no lema do programa ‘Survivor’ – ‘não confie em ninguém!’ Um slogan como esse não prediz muito bem o futuro das amizades e parcerias humanas.Este abandono da vida pública e a descrença total no poder de transformação das realidades sociais mais próximas, também gerou o seu tributo contemporâneo. O preço pago é a sensação de sofrer individualmente (julgando-se o único responsável) problemas que tem abrangência e origem coletiva.
Interessante isso:
As pessoas não são excluídas porque são más, mas porque outros demonstram ser mais espertos na arte de passar por cima dos outros. Todos são avisados de que não têm capacidade de permanecer porque existe uma cota de exclusão que precisa ser preenchida.
Divagações em aberto (não me responsabilizo pelas mesmas, estão aqui publicadas como rascunho: se não entender, deixe de lado…):
Enquanto muitos estão buscando discutir o formato e as possibilidades de definição do novo modelo de publicação que irá resolver a viabilidade econômica dos blogs, com Bauman é possível tomar um posicionamento bastante diferente do convencional neste debate. Não importa tanto discutir o aspecto formal de publicação (se o blog é um diário pessoal, um portal de notícias de tecnologia, se é uma comunidade, etc.) o que figura como questão central é o fato de estarmos diante de um acontecimento cultural absolutamente novo em nossas sociedades: trata-se desta nova condição dos cidadãos, que agora possuem uma quantidade de informações cada vez maior hospedadas no espaço virtual.
Muito da oposição que se coloca entre os meios tradicionais e os novos atores emergentes oriundos das ferramentas da internet significam menos uma verdadeira contenda mas sim uma nova conjuntura na qual o valor da informação foi modificado e as profissões foram dissolvidas junto com o mundo da modernidade sólida.
O outro ponto interessante que a análise de Bauman acrescenta na discussão sobre os futuros da internet se direciona ao tema da intensidade dos laços sociais que se estabelecem no hiperespaço. Ao que tudo indica, enquanto alguns pensadores otimistas apostam na força transformadora que os novos relacionamentos virtuais terão sobre as formas tradicionais (off-line) de sociabilidade que constituem a sociedade, em Bauman esses novos contatos virtuais podem ser entendidos muito mais como contatos que se inscrevem neste processo de enfraquecimento dos vínculos sociais.
Alguns elementos para complementar a visão cética de Bauman.
Não creio que a visão cética de Bauman redunde num pessimismo. O autor não está realmente preocupado em afirmar que devemos perder as esperanças no ambiente virtual. Ao que parece, a sua preocupação se liga mais ao cuidado de revelar o encaixe da internet, mostrar como ela está inscrita num processo de precarização dos laços de sociabilidade e dissolvimento de formas de agir, de saber e tudo o que isso compreende (conjunto de saberes profissionais, modelos de vida, expectativas de mundo, etc.). Além disto, ele não investiga quais poderiam ser os caminhos para uma internet mais produtiva, mais transformadora, como um exemplo de modificação positiva do mundo.É justamente pensando neste aspecto que creio ser interessante colocar alguns pontos a respeito desta positividade da web, citar alguns pontos nos quais ela poderia evoluir para se tornar menos cética, tal como a diagnosticou Bauman:
Inteligência Coletiva: novos padrões de colaboração, cooperação. O desafio que estas idéias impõem, sobretudo quando se pensa em sua realização, são a construção de ambientes propícios para a sua manifestação. Para que haja cooperação, é necessário um contexto promissor no qual os agentes se sintam estimulados e recompensados por agirem em parcerias. Uma vez que é possível pensar em contextos viabilizadores de cooperação, não podemos de forma alguma esquecer a necessidade de pensarmos a formação de novos sujeitos preparados para a ação cooperativa. Precisamos descobrir uma forma de criar contextos e sujeitos preparados para a ação conjunta.
Pensar modos de reapropriação dos instrumentos culturais, econômicos e sociais dos sujeitos contemporâneos.
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